Raciocínio geográfico, pensamento espacial e cartografia na educação geográfica brasileira
DOI:
https://doi.org/10.33025/grgcp2.v9i18.3833Palavras-chave:
Raciocínio Geográfico, Educação Geográfica, Cartografia Escolar, Pensamento Espacial, Perguntas GeográficasResumo
Neste artigo o nosso objetivo será analisar a centralidade do desenvolvimento do raciocínio geográfico no currículo de Geografia da escola básica brasileira. Compreendemos essa modalidade cognitiva como um sistema de pensamento que põe em movimento articulado os conceitos e princípios da Ciência Geográfica em conexão à capacidade de pensar espacialmente, notadamente com o apoio da linguagem cartográfica. Essa cognição geográfica é mobilizada por perguntas geográficas e estas, por sua vez, estão contextualizadas por situações geográficas selecionadas ou construídas pelos professores dessa matéria escolar. A Cartografia Escolar é, nesse sistema, simultaneamente um conteúdo e uma metodologia e o pensamento espacial é um conteúdo procedimental que compõe o raciocínio geográfico. Entendemos que essa tarefa é de imensa importância para os profissionais vinculados à Educação Geográfica, comungando do princípio de que esse é um caminho robusto para assegurar relevância social e pertinência desse componente curricular para a formação cidadã no país.
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